terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Até já Covilhã" by Luísa Torquato

[PT] Luísa Torquato, uma aluna brasileira, deixou o seu testemunho na hora de despedida daqueles que partilharam com ela estes últimos seis meses. Deixamos aqui as suas palavras...

"Até já Covilhã!

É bem verdade que é mais difícil deixar o que colhemos aqui do que o que plantamos do lado de lá. Já me disseram isso. Eu sei, nunca quis acreditar.
Há uns dias, escrevi: Passo pelo corredor, dessa vez resolvo inovar, vou de olhos fechados até ao quarto. Me surpreendo, pois sei exatamente onde parar, tenho idéia de quantos passos preciso dar para chegar até ao quarto.
Me lembro da primeira vez que estive aqui. Estávamos eufóricos, felizes e apavorados, sem saber onde isso ia dar. Vivendo de surrealidade até nossos pés tocarem o chão.
Sabe, lembro inclusive de algumas primeiras vezes que vi vocês, do nosso primeiro rebu, primeira vez no Baro, das noites insanas no Chemistry. Da primeira festa de medicina na piscina, das tardes e noites lá! Do dia em que fomos apresentados à ESN. Dos barulhos nas madrugadas. Primeira vez em Lisboa, Holy Festival. Primeiro arroz queimado. Das várias vezes em que alguns de vocês acordavam com meu quarto caindo enquanto eu nem percebia. Dos nossos: "Me empresta?", "Me vende? ", "troco vinho por chocolate!", "quem tem crédito pra lavar roupa? ", "alguém vai ao continente ainda?", "quem está no pólo I e vai subir?". Do nosso primeiro jantar a luz de celulares.
De dançar kizomba e kuduro, acordar com bailando e dormir com jajão. Dos pratos sempre inesperados da cantina.
Mas hoje, xelentes, só sei que somos tudo isso, e enquanto não podemos voltar, ficamos com o gostinho das lembranças.
Porque ser Erasmus é isso, ser um bocadinho de cada um, os lugares aos quais fomos e muito de onde vivemos.

E este não é um adeus, é um até já Covilhã.
Luísa Torquato"



[EN] Luísa Torquato, a brazilian student, left her testimony in time to farewell those who shared with her the past six months. We leave here her words...

"See you soon Covilhã
It is true that it is harder to leave what we harvest here than what we plant over there . I've been told that. A few days ago, I wrote: Step down the hall, this time I decide to innovate, I close eyes while I'm going to my room. It surprises me, because I know exactly where to stop, I have an idea how many steps I need to take to get to the room.
I remember the first time I was here. We were euphoric, happy and terrified, not knowing where it was going. Living on the surreality until our feet hit the ground.
You know, I even remember some of the first times I saw you, our first rebu, first time in Baro, the insane nights in Chemistry. The first party of medicine in the pool, afternoons and nights there! The day when we were shown to ESN. The noises at dawn. First time in Lisbon, Holy Festival. First burned rice. Of the several times that some of you woke up with my room falling while I did not even notice. Of our: "Can I borrow?", "Will you sell it to me?", "change wine for chocolate!", "who have credit to wash clothes?", "Does someone go to Continente?", "Who's on polo I and will go up?". From our first dinner at cellphone light. Dancing kizomba and kuduro, waking up with "Bailando" and sleeping with "Jajão". The always unexpected canteen dishes.
But today , xelentes , just know that we are all this, and while we can't go back, we live through memories. Because being Erasmus is this, being a little of each other, the places which we were, and where we lived.

And this is not goodbye, it's an even longer Covilhã.
Luísa Torquato"

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